Victor Panchorra: o
farol contra as fake news.
No seu trabalho 'insalubre', paciente, firme e muito necessário: ele informa, reeduca, desmonta mentiras e ensina a verificar.
Caminha-se hoje por ruas que são fios de luz: telas que acendem, notificações que chegam como passos. Victor Panchorra aprendeu a andar nesse novo bairro — não como quem passa apressado, mas como quem conhece cada esquina e sabe que, em cada porta, há alguém esperando ser ouvido. Sua presença nas redes não é espetáculo; é serviço. É a paciência de quem responde uma mensagem ao vivo, a calma de quem transforma um ataque de certezas em uma conversa possível.
Há algo de antigo nesse gesto: o professor que volta à praça
para explicar de novo, o vizinho que empresta o jornal e aponta a manchete. Mas
há também algo de moderno e urgente: a batalha contra a desinformação travada
com palavras simples, com links checados, com exemplos que cabem numa tela.
Victor não grita para vencer; ele desmonta, passo a passo, a construção do
erro. Não busca aplausos, busca compreensão. E, quando a compreensão chega, é
uma vitória silenciosa — uma ideia que se ajeita, uma dúvida que se dissipa.
O que ele faz é, ao mesmo tempo, jornalismo de proximidade e
alfabetização digital. Explica termos, contextualiza fatos, mostra como checar
uma fonte; ensina a pensar antes de compartilhar. Em lives, em mensagens, no texto que nos foi enviado, há sempre a
mesma atitude: acolher o interlocutor, mesmo quando ele chega armado de
certezas. Essa insistência é pedagógica: não se trata apenas de transmitir
informação, mas de cultivar um hábito — o de questionar, verificar, conversar.
E há beleza nisso. A educação que nasce nas redes, quando bem-feita, tem a força de uma semente plantada em terreno seco: não promete floresta imediata, mas garante que, aos poucos, brotem árvores. Victor sabe que cada resposta é uma semente. Sabe também que o trabalho é lento, repetitivo, às vezes, invisível. Ainda assim, persiste. Porque ensinar nas redes é, hoje, um ato de resistência civil: é recusar a simplificação, é devolver à conversa a complexidade que ela merece.
No fim, o papel que ele desempenha ultrapassa o canal, o documento, a live. É um serviço público informal, uma biblioteca aberta em tempo real, um farol que não apaga. E, enquanto houver alguém disposto a perguntar, Victor continuará a caminhar pela casa com o telefone na mão, pronto para iluminar mais uma esquina digital.

























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