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| Imagem Ilustração Gemini |
O Velho, o Mar e a Estupidez dos Homens.
Ele era um homem que sabia que nenhum outro escritor
americano jamais teve sua estatura ou influência, tanto literária quanto
cultural, mas sabia também que, sem aquela ilha, ele não seria quem foi. Ernest
Hemingway olhava para trás, para Cuba, o lugar onde viveu mais da metade de sua
vida e onde escreveu muitas de suas obras mais significativas, sentindo a
ressaca de uma saudade profunda.
Ele lembrava-se de ter dito uma vez: “Em Cuba,
encontrei o lugar perfeito para escrever”. E não era pelo rum, como pensam
os turistas que imaginam o gigante de barba grisalha nos bares, mas pela
atração magnética do mar e da pesca magnífica que o fez retornar em 1932. Ele
via-se novamente no convés do Pilar, ou alugando o Anita do
contrabandista Josie Russell, aprendendo que um homem não deve transportar nada
"que possa falar". Aquelas águas do Golfo, onde ele caçava submarinos
nazistas como se fossem marlins metálicos, eram o seu verdadeiro lar.
Na Finca Vigía, comprada com o dinheiro de Por
Quem os Sinos Dobram, ele não estava apenas escrevendo; ele estava vivendo
a essência da vida. Ele via a torre branca que Mary construiu para ele — quieta
demais para escrever, na verdade, — e sentia o cheiro dos livros na biblioteca,
onde fazia anotações nas margens sobre o tempo e a pesca.
Mas agora, ao observar o horizonte político, a nostalgia do
velho escritor transformava-se em uma fúria silenciosa. Ele lembrava-se bem do
início daquele embargo liderado pelos EUA, uma barreira fria que já durava 40
anos na época do documentário.
Se ele pudesse ver a estupidez dos tempos atuais, veria
que a crueldade não mudou, apenas os nomes. Ver um líder como Trump bloquear a
exportação de petróleo para a ilha, sufocando a energia de um povo que já sofre
tanto, seria para ele a repetição de um erro histórico grotesco. Ele, que
dedicou sua medalha do Nobel ao povo cubano e à Virgem do Cobre, veria nessa
asfixia econômica a semente de mais um genocídio, uma indiferença à vida humana
tão brutal quanto a que devasta Gaza. É a mesma tática de cercar, esfomear e
esperar que a dignidade morra antes do corpo.
Retornando às suas memórias documentadas, ele sabia que a
política sempre tentou manchar a pesca. Ele ficou terrivelmente nervoso no
final da vida por ser rotulado como comunista, sabendo que J. Edgar Hoover
mantinha arquivos sobre ele. Ele foi cauteloso com a revolução de Fidel no
início, tentando cobrir suas bases, embora pudesse ter simpatizado com a
mudança de regime. A ironia não lhe escapava: o próprio Castro preservou sua
casa e memória porque ‘Por Quem os Sinos Dobram’ ensinou táticas de
guerrilha para vencer exércitos maiores.
No fim, o que importava não eram os governos, mas o povo de
Cojímar. Aqueles pescadores, seus “heróis”, que doaram as hélices de
bronze de seus barcos para fundir um busto em sua homenagem após sua morte. Ele
partiu em 1960 para nunca mais voltar à “casa do seu coração”,
deixando para trás seus livros, seus troféus e um povo que, apesar dos
bloqueios e da estupidez dos políticos do norte, insistia em manter seu legado
vivo.
Vídeo/Documentario (Dublado) 👈 (Documentário contado nas palavras do próprio Hemingway).
Vídeo/Documentário (English) 👈









