O Preço do Fogo
E o Peso do Silêncio
Enquanto o mundo arde, o fogo queima mais além, nós assistimos ao incêndio pela tela fria do smartphone ou da TV. Estamos apáticos, sentimos uma preguiça de não pensar para não fazer doer ainda mais. Do conforto anestesiante de nossos lares, então consumimos essa loucura, essa tragédia geopolítica, sentindo uma frustração estéril, uma indignação de sofá que morre antes mesmo de cruzar a porta de casa.
Mas, ainda assim, este alerta precisa ecoar, precisa insistir, nem que tenha que reverberar como um soco no estômago de nossa inércia: não podemos mais ser a plateia muda assistindo o nosso próprio fim.
Há uma ironia totalmente macabra em todo esse tabuleiro global mais atual: menos de um punhado de pessoas com mentalidade velhaca e criminosa está nos ferrando silenciosamente por trás. É uma verdadeira “quadrilha” que sorrateiramente chantageia as rédeas da política sem ninguém notar. E pior, decidiu arriscar: risca um palito de fósforo sob uma nuvem de gás inflamável.
Mas afinal, quem irá se queimar?
Enquanto move a chama, sente-se protegido pela distância, não se importa com o preço da insana estupidez, sabe que será pago de imediato com a vida de crianças e civis inocentes que tombam sob o fogo. Mas a fatura dessa loucura não respeita fronteiras, pode ter certeza disso. O alerta é claro e universal: as classes trabalhadoras de todo o planeta arcarão com as consequências desse jogo insano de poder. Sim, isso mesmo, pode acreditar: somos nós a engrenagem que move o mundo, que continuamos, no fim das contas, a financiar com suor e empobrecimento, as bombas desses tiranos.
É exatamente por isso que o vazio de nossas avenidas é tão ensurdecedor e vastamente decepcionante…
Onde estão os milhões marchando? Sim! Onde está o levante popular exigindo o fim dessa insanidade?
O conformismo revela nossa cumplicidade. O alerta bate em nossa porta, exige nossa ruptura: parem de apenas assistir à mídia, recusem o papel de vítimas, tomem as ruas ou qualquer outro espaço de mobilização! É um dever moral dizer um sonoro “NÃO” a esse grupo criminoso que empurra a humanidade para o abismo!
Não nos enganemos com a ilusão de que este é apenas mais um conflito regional passageiro! A gravidade do nosso tempo está batendo em nossa porta e ninguém parece ouvir ou, quem sabe, espera alguém ir lá abrir…
Mas quem?
Estamos atravessando um dos momentos mais difíceis e críticos da história da humanidade, a turbulenta transição de uma ordem mundial para outra. A encruzilhada é impiedosa, não podemos nos afastar da TV! Mas perceba: se continuarmos de braços cruzados, se continuarmos nos recusando a nos envolver de forma mais sincera e ativa, o futuro cobrará seu tributo com guerras ainda maiores e cada vez mais sangrentas.
O alerta grita na porta, o recado foi dado e o relógio da história não perdoa a omissão. Ou a sociedade civil global se levanta para arrancar os fósforos das mãos dessa quadrilha ou amanhã todos nós, sem exceção, seremos consumidos pelo fogo que nos recusamos a apagar.