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O Banquete Sobre o Abismo.
Tente não se perder no brilho das telas de cinema. Você cresceu acreditando que o mundo é um cenário de Hollywood, onde heróis invencíveis salvam o dia antes dos créditos subirem.
No entanto, a realidade é uma roteirista muito mais cruel e menos afeita a finais felizes. Aquela potência militar insuperável que povoa seus sonhos de consumo foi, na verdade, convidada — isso para dizer o mínimo — a se retirar do Iraque, do Afeganistão e da Líbia, deixando o rastro do amargo regresso de seus próprios filhos do solo do Vietnã.
É curioso observar como vocês, e muitos de seus pares aqui no Brasil, olham para o Norte como se avistassem a Nova Jerusalém.
A verdade, contudo, é que os Estados Unidos estão mergulhados em uma crise sem precedentes, tentando escapar desesperadamente de uma arapuca que eles mesmos montaram: um mundo de fantasia sustentado por falsas comunicações garbosas.
Enquanto você admira o brilho do dólar, saiba que esse país é um dos mais violentos do globo, ostentando quase cinco vezes mais encarcerados per capita do que a China e convivendo com o horror quase diário de sofrer possíveis ataques armados em escolas.
O capitalismo selvagem deles produz uma vida fútil e desprovida de propósito, onde quarenta milhões de pessoas buscam refúgio em drogas e outros cinquenta milhões não sabem se terão o que comer amanhã.
É uma ironia trágica, não acha? Um país com um PIB de 28 trilhões de dólares — catorze vezes maior que o brasileiro — que mantém sua população jogada às traças, sem o básico acesso à saúde.
E no centro desse picadeiro, temos figuras que usam a comunicação para empilhar baboseiras e desviar a atenção de governos que fracassam sistematicamente. Promessas de invasões e fortunas multiplicadas em esquemas de criptomoedas e valores fictícios na bolsa são somente castelos de areia.
São como aquelas esculturas à beira do mar: basta a primeira chuva da realidade para que tudo se desfaça em minutos.
Para entender esse cenário, pense na imagem de um banquete luxuoso servido sobre um tapete que esconde um abismo: os convidados elogiam a prataria e o brilho dos lustres, ignorando que o chão sob seus pés está cedendo, e que o anfitrião, enquanto sorri para as câmeras, já está vendendo as cadeiras onde todos se sentam.
Não se deixe enganar pela estética do poder.
A ganância e a falta de empatia não são defeitos de percurso, são a própria essência de um sistema que idolatra o veneno.
Há quem trate bem os 'ovos das serpentes', esperando gratidão; só não se surpreenda se uma delas o picar. Compreenda: não é por ódio, mas porque é de sua natureza, a mesma que alimenta o fascismo.

