28 de jan. de 2026

VICTOR PANCHORRA: O FAROL CONTRA AS FAKE NEWS

 

Victor Panchorra: o farol contra as fake news.

No seu trabalho 'insalubre', paciente, firme e muito necessário: ele informa, reeduca, desmonta mentiras e ensina a verificar.


Caminha-se hoje por ruas que são fios de luz: telas que acendem, notificações que chegam como passos. Victor Panchorra aprendeu a andar nesse novo bairro — não como quem passa apressado, mas como quem conhece cada esquina e sabe que, em cada porta, há alguém esperando ser ouvido. Sua presença nas redes não é espetáculo; é serviço. É a paciência de quem responde uma mensagem ao vivo, a calma de quem transforma um ataque de certezas em uma conversa possível.


Há algo de antigo nesse gesto: o professor que volta à praça para explicar de novo, o vizinho que empresta o jornal e aponta a manchete. Mas há também algo de moderno e urgente: a batalha contra a desinformação travada com palavras simples, com links checados, com exemplos que cabem numa tela. Victor não grita para vencer; ele desmonta, passo a passo, a construção do erro. Não busca aplausos, busca compreensão. E, quando a compreensão chega, é uma vitória silenciosa — uma ideia que se ajeita, uma dúvida que se dissipa.


O que ele faz é, ao mesmo tempo, jornalismo de proximidade e alfabetização digital. Explica termos, contextualiza fatos, mostra como checar uma fonte; ensina a pensar antes de compartilhar. Em lives, em mensagens, no texto que nos foi enviado, há sempre a mesma atitude: acolher o interlocutor, mesmo quando ele chega armado de certezas. Essa insistência é pedagógica: não se trata apenas de transmitir informação, mas de cultivar um hábito — o de questionar, verificar, conversar.


E há beleza nisso. A educação que nasce nas redes, quando bem-feita, tem a força de uma semente plantada em terreno seco: não promete floresta imediata, mas garante que, aos poucos, brotem árvores. Victor sabe que cada resposta é uma semente. Sabe também que o trabalho é lento, repetitivo, às vezes, invisível. Ainda assim, persiste. Porque ensinar nas redes é, hoje, um ato de resistência civil: é recusar a simplificação, é devolver à conversa a complexidade que ela merece.


No fim, o papel que ele desempenha ultrapassa o canal, o documento, a live. É um serviço público informal, uma biblioteca aberta em tempo real, um farol que não apaga. E, enquanto houver alguém disposto a perguntar, Victor continuará a caminhar pela casa com o telefone na mão, pronto para iluminar mais uma esquina digital.



@VICTORPANCHORRA/video👈




MURROS EM PONTA DE FACA

 
Ilustração Gemini

Murros em Ponta de Faca.


Os Estados Unidos vivem uma crise que não é apenas política, mas humana. A chegada de agentes federais a Minnesota, sem convite do governador, abriu uma ferida que expôs a fragilidade do federalismo e a incoerência de um país construído por imigrantes, mas que agora tenta negar suas próprias raízes.


Famílias foram separadas. Pais deportados, filhos cidadãos deixados para trás, obrigados a viver em terras que não conhecem. Como se não bastasse, o histórico conflito racial continua a marcar a vida dos cidadãos negros, ampliando a sensação de exclusão e perseguição.


O paradoxo é evidente: o próprio presidente que impulsionou essas medidas é descendente de imigrantes. Se seus antepassados tivessem sido tratados com a mesma dureza, talvez a história fosse outra.


E é nesse cenário que lembramos nomes como George Floyd, Renee e Pettri. Suas mortes não podem cair no esquecimento. Elas são o lembrete de que políticas autoritárias e violência institucional não apenas dividem a nação, mas ceifam vidas. 


Que suas histórias sirvam de alerta para que os Estados Unidos não continuem a dar murros em ponta de faca, ferindo a si mesmos e comprometendo o futuro de todos.


Ilustração Copilot


OBS. Lembrem-se de que dezenas de imigrantes foram mortos sob custódia do governo Trump.









12 de jan. de 2026

O ESPELHO ESQUECIDO DA TRANSITORIEDADE.

 

Imagem ilustração Copilot

O Espelho Esquecido da Transitoriedade.

O mundo é um ponto azul. Frágil. Passageiro. Todos nascem, caminham, partem. É simples. Mas o poder esquece. Age como se fosse dono da terra. Ergue muros contra quem busca apenas sobreviver.


O “sonho americano” virou pesadelo. Asfalto. Sangue. René Nicole, uma jovem de 37 anos, morreu em Minnesota. Morta por agentes de imigração. O governo a chamou de “terrorista”. Não era. Era só uma mulher. E mãe. Mãe de três crianças. A palavra “terrorista” serviu para encobrir o crime. Para esmagar a confiança. Para espalhar ódio, revolta.


Menny Chaves também é vítima disso tudo. Vítima do medo. Tem só 16 anos. Ele já não sonha, preocupa-se. Só deseja que os pais voltem do trabalho vivos. Ele fala de um presidente sem empatia. Um homem que trata pessoas como cães. A polícia segue a ordem. Não protege. Ameaça. Mata a tiros.


O tirano esquece que também é passageiro. Persegue o imigrante. Persegue a própria história. Fronteiras são cicatrizes. Elas não param a vida.


Um jovem de Oregon disse: viver assim é morar em casa de vidro. O dono atira pedras nos vizinhos. Não percebe. O último estilhaço vai destruir o próprio teto.

 

Algo de muito errado está se passando com ele… com a gente, com o mundo. Ninguém está vendo isso?


Vídeo Ninja/UOL👈





6 de jan. de 2026

O BANQUETE SOBRE O ABISMO

 
Image Gemini

O Banquete Sobre o Abismo.


Tente não se perder no brilho das telas de cinema. Você cresceu acreditando que o mundo é um cenário de Hollywood, onde heróis invencíveis salvam o dia antes dos créditos subirem. 

No entanto, a realidade é uma roteirista muito mais cruel e menos afeita a finais felizes. Aquela potência militar insuperável que povoa seus sonhos de consumo foi, na verdade, convidada — isso para dizer o mínimo — a se retirar do Iraque, do Afeganistão e da Líbia, deixando o rastro do amargo regresso de seus próprios filhos do solo do Vietnã.

É curioso observar como vocês, e muitos de seus pares aqui no Brasil, olham para o Norte como se avistassem a Nova Jerusalém. 

A verdade, contudo, é que os Estados Unidos estão mergulhados em uma crise sem precedentes, tentando escapar desesperadamente de uma arapuca que eles mesmos montaram: um mundo de fantasia sustentado por falsas comunicações garbosas. 

Enquanto você admira o brilho do dólar, saiba que esse país é um dos mais violentos do globo, ostentando quase cinco vezes mais encarcerados per capita do que a China e convivendo com o horror quase diário de sofrer possíveis ataques armados em escolas.

O capitalismo selvagem deles produz uma vida fútil e desprovida de propósito, onde quarenta milhões de pessoas buscam refúgio em drogas e outros cinquenta milhões não sabem se terão o que comer amanhã. 

É uma ironia trágica, não acha? Um país com um PIB de 28 trilhões de dólares — catorze vezes maior que o brasileiro — que mantém sua população jogada às traças, sem o básico acesso à saúde.

E no centro desse picadeiro, temos figuras que usam a comunicação para empilhar baboseiras e desviar a atenção de governos que fracassam sistematicamente. Promessas de invasões e fortunas multiplicadas em esquemas de criptomoedas e valores fictícios na bolsa são somente castelos de areia. 

São como aquelas esculturas à beira do mar: basta a primeira chuva da realidade para que tudo se desfaça em minutos.

Para entender esse cenário, pense na imagem de um banquete luxuoso servido sobre um tapete que esconde um abismo: os convidados elogiam a prataria e o brilho dos lustres, ignorando que o chão sob seus pés está cedendo, e que o anfitrião, enquanto sorri para as câmeras, já está vendendo as cadeiras onde todos se sentam.

Não se deixe enganar pela estética do poder. 

A ganância e a falta de empatia não são defeitos de percurso, são a própria essência de um sistema que idolatra o veneno. 

Há quem trate bem os 'ovos das serpentes', esperando gratidão; só não se surpreenda se uma delas o picar. Compreenda: não é por ódio, mas porque é de sua natureza, a mesma que alimenta o fascismo.




5 de jan. de 2026

O BLUES DO LEVIATÃ AMERICANO

 
A Sombra da Liberdade - Ilustração Gemini

O Blues do Leviatã Americano.

Há uma América que pulsa com uma beleza feroz e inegável. É a América do jazz improvisado em porões enfumaçados, onde o trompete chora a dor e a esperança de um povo. É a terra da estrada aberta descrita por Kerouac, da coragem solitária nos ringues de boxe, da prosa limpa de Faulkner e da engenharia que ergueu arranha-céus que tocam o divino. Existe uma vitalidade na cultura norte-americana, uma crença na liberdade individual e na reinvenção do eu que seduz o mundo. É um lugar onde a ideia de “possibilidade” é o oxigênio que se respira.

No entanto, há um paradoxo terrível quando essa nação, que forjou sua identidade na luta contra a tirania colonial, decide projetar sua sombra sobre o continente do sul.

Caracas, 3 de janeiro de 2026. A madrugada não chegou devagar; ela foi imposta. Primeiro, a morte da luz. Um apagão cibernético, frio e calculado, transformou a capital em um abismo escuro. Os radares, cegos. O silêncio eletrônico, absoluto.

Então, veio o som. Não era música. Era a percussão mecânica de aeronaves rasgando o céu tropical. A “Operação Determinação Absoluta”. Um nome limpo para um ato sujo.

Os Night Stalkers desceram. São profissionais, homens feitos de aço e ordens, movendo-se com a precisão de cirurgiões num açougue. O alvo não era um exército, mas uma casa. Forte Tiuna. Nicolás Maduro e Cilia Flores não foram presos, foram sequestrados; ou, melhor (ou pior?), foram extraídos. Sim. Como se arranca um dente inflamado, sem perguntar à boca se ela concorda com a dor.

Mais de cinquenta homens morreram. Venezuelanos. Eles caíram no escuro, defendendo um portão, uma ideia ou talvez o solo onde nasceram. Para a máquina de guerra que desceu do norte, eles eram apenas estatística, danos colaterais na planilha do Pentágono.

A justificativa veio embalada no celofane retórico de Washington: “narcoterrorismo”. Mas quem conhece o cheiro da pólvora e da política sabe que o buraco é mais embaixo. É o petróleo. O sangue negro da terra. Donald Trump, invocando a sua “Doutrina Don-Roll” — uma Monroe com anabolizantes —, decidiu que o quintal precisava de um novo síndico. Não importa a soberania, não importa o direito internacional. Pra ele, tudo isso é balela.

É a política do condomínio global reduzida à lei do mais forte: se não gosto de como você arruma sua sala, eu chuto a sua porta, mato seus cães e te levo acorrentado para Nova York.

Eles levaram o homem, mas deixaram o problema. Em Caracas, o vácuo não foi preenchido pelo pânico, mas por uma rigidez militar. Delcy, Diosdado, Padrino. A estrutura permaneceu. O chavismo cerrou fileiras. Não houve a traição em massa que os analistas de Langley prometeram em seus relatórios de ar-condicionado.

O mundo assiste, atônito. A Rússia e a China, gigantes com pés de barro logísticos, somente observam. O Brasil, vizinho gigante e complexo, sentiu o tremor. O Itamaraty, saindo de sua letargia, condenou o ato. Reconheceram Delcy, não porque gostem dela, mas porque a alternativa de aceitar que fuzileiros estrangeiros possam sequestrar presidentes na América do Sul é um pesadelo geopolítico inaceitável.

No fim, a operação foi um sucesso tático e um desastre moral. Os Estados Unidos, a terra de muitos escritores que nos ensinaram que a coragem é a graça sob pressão, mostraram ao mundo uma face diferente naquela madrugada: a arrogância sob pretexto. Eles provaram que podem apagar as luzes de uma nação inteira, mas ainda não aprenderam a iluminar a própria contradição de ser uma república fundada na liberdade que, volta e meia, é viciada em esmagar a liberdade alheia.