O SONHO DA CONFEITARIA COLOMBO

O SONHO DA CONFEITARIA DA COLOMBO

Tínhamos que pegar uma torta de chocolate e duas bandejas de salgadinhos na Confeitaria Colombo. A encomenda já estava feita quando minha mãe saiu de casa, bem cedo, para trabalhar. No final da tarde, ela chegou com sacolas de supermercado e logo nos lembrou de apagar as luzes — afinal, ela não era sócia da Light.

Com a notinha e o dinheiro na mão, eu e meu irmão logo estávamos na calçada de Nossa Senhora de Copacabana, perto do posto 6. A avenida fervilhava. Copacabana, no final dos anos 60, já era uma cidade na cidade, um pedaço cosmopolita do mundo. Aquela mudança brusca de cenário me fazia sentir um poeta urbano, imaginando trilhas sonoras de jazz romântico.

O mundo mudava rápido, e nós, jovens, sentíamos estarmos conquistando algo maior. A brisa que vinha do mar carregava uma energia viva, como se o samba e o jazz estivessem se fundindo. Tudo isso me passava pela cabeça enquanto eu recebia o troco, sentindo o doce aroma dos sonhos que saíam do forno.

De repente, no caminho de volta, lembrei de conferir o troco. Coloquei a torta sobre o capô de um carro estacionado e contei as notas. Estava pensando no sorriso da garota do caixa, na umidade que parecia brilhar em seus lábios. Percebi que ela havia me devolvido o valor total da encomenda.

Fiquei dividido: comprar um ingresso para o teatro, o novo LP do Tom Jobim ou voltar à confeitaria só para ver aquele sorriso de novo. Decidimos voltar...

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O MESMO CÉU Quase ninguém, em sã consciência, olha para o céu com outros olhos. É quase sempre de relance. Com muit...

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